Fonte: Metrópoles.
CPTM retomou operação após falhas e um princípio de incêndio. Repasse se refere a investimentos realizados desde janeiro de 2026.
A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), do governo paulista, repassou até o momento R$ 128,5 milhões à Trivia Trens, empresa responsável pela concessão das Linhas 11, 12 e 13 do transporte metropolitano. A concessionária operou de forma integral o serviço por apenas três dias, entre 21 e 24 de julho, até a CPTM retomar a operação após sucessivas falhas apresentadas.
De acordo com a gestão estadual, o repasse se refere a obrigações de investimento previstas no contrato de concessão, como a realização de 23 intervenções prioritárias nas estações das três linhas. O pagamento foi feito em 28 de agosto.
“Essas ações, cuja apuração independe do período em que a concessionária esteve responsável pela operação integral das linhas, envolvem melhorias de acessibilidade, iluminação, comunicação visual, reparos em revestimentos de pisos e paredes, plataformas, além de estruturas para bicicletas, primeiros socorros e medidas de segurança. E contempla, ainda, três intervenções de vedação da faixa ferroviária”, informou a Artesp.
A empresa também informou que as obras nas linhas começaram no início de janeiro de 2026 e, portanto, os investimentos da concessionária já vinha sendo feitos “muito antes do início da operação”.Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
Em nota, a Artesp afirmou ser “importante esclarecer que o valor indicado não constitui remuneração à Trivia Trens pelos três dias de operação integral das linhas, mas sim aporte público destinado a investimentos previstos contratualmente e executados independentemente desse período”.
“Os trabalhos começaram em janeiro de 2026, como parte da preparação da infraestrutura para a concessão, e o pacote inicial de revitalização foi concluído em julho, antes do início da operação integral pela concessionária”, disse a agência.
Falhas
Nos dois primeiros dias de gestão da Trivia, foram ao menos seis intercorrências, sendo as linhas 11-Coral e 12-Safira as mais afetadas. Na manhã de 23 de julho, um trem da Linha 12 pegou fogo e passageiros precisaram desembarcar. Imagens registraram pessoas caminhando sobre os trilhos próximo à Estação Tatuapé, na zona leste.
Reprodução/TV Globo





As informações sobre o repasse foram fornecidas pela Artesp via Lei de Acesso à Informação. O deputado estadual e candidato à reeleição Antonio Donato (PT) diz que enviará representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE) questionado o tema.
A Trivia também afirmou que o valor está relacionado aos “Investimentos Prioritários de Curto Prazo e Empreendimentos de Vedação da Faixa de Domínio previstos no contrato de concessão das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e executados pela concessionária, observados os mecanismos e critérios previstos contratualmente.”
“O pagamento não guarda relação com o período de operação da concessionária, mas com a realização desses investimentos, cujo valor foi atualizado para a data-base de julho de 2026, conforme previsto no contrato”, disse a empresa, que completou dizendo que os investimentos integram etapas específicas das obrigações de investimento previstas na concessão e não substituem os demais investimentos de caráter estrutural previstos para serem implementados ao longo da execução contratual.
“A Trivia Trens permanece comprometida com a modernização da infraestrutura ferroviária e com a melhoria contínua da experiência dos usuários”, informou a concessionária.
Ressarcimento
Além do valor pago pela Artesp, a CPTM vai ressarcir em R$ 24,4 milhões a Trivia Trens por despesas pagas pela concessionária durante os 90 dias em que a estatal reassumiu o controle da operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A informação consta em termo de aditamento ao contrato celebrado entre as empresas e publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOE) do último dia 11.
Segundo a CPTM, os valores são referentes a serviços previamente contratados pela Trivia e que estão sendo utilizados pela estatal desde a retomada da operação, em 24 de julho, após determinação da Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Entre os serviços, estão limpeza e manutenção de equipamentos e instalações, segundo a agência.
O aditamento prorroga prazos de vigência de diversos planos de trabalho vinculados à manutenção e operação das Linhas 11, 12 e 13 da rede ferroviária paulista. Além disso, formaliza a inclusão de novos serviços, como limpeza predial, gestão de resíduos sólidos e manutenção de equipamentos, cabendo à CPTM reembolsar a empresa pelas despesas.
De acordo com a Artesp, o ressarcimento é previsto no convênio celebrado entre a CPTM e a Trivia Trens, destinado ao custeio de serviços previamente contratados pela concessionária e utilizados pela estatal após a retomada da operação das linhas, em 24 de julho de 2026, como limpeza e manutenção de equipamentos e instalações.
Ainda segundo a agência, os valores – o pagamento pelos investimentos e o ressarcimento – possuem fundamentos contratuais e finalidades distintas.
“O primeiro corresponde a aporte público vinculado a investimentos previstos na concessão; o segundo, ao ressarcimento de despesas com serviços utilizados pela CPTM durante a retomada da operação. Nenhum dos dois montantes constitui remuneração da concessionária pelos três dias em que esteve responsável pela operação integral das linhas”, disse a Artesp.
Relembre o caso
- A Trivia Trens assumiu o controle total da operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade em 21 de julho, após o fim do período de transição.
- O botão de emergência do trem não funcionou. O alarme não pôde ser acionado, devido à falta de energia elétrica.
- Em coletiva de imprensa, o diretor-presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Sotelo Cerqueira, informou que a estatal apurava as causas do incêndio. “A gente não tem como dizer ou afirmar quais são as causas e os fatores que levaram a esse incidente, mas o que a gente está fazendo é apurar e entender para que isso não volte a acontecer”, disse ele.
- Após o incidente, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) determinou, em 24 de julho, que a CPTM voltaria a atuar por até 90 dias em conjunto com a Trivia Trens na operação das três linhas.
- O incidente levou o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) a cobrar explicações ao governo estadual e a Trivia Trens. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) também instaurou um inquérito civil para investigar as falhas.
