Nesta entrevista, o Prof. Roberto Willians de Santana, do Instituto da Qualidade Ferroviária (IQF) e do Núcleo de Desenvolvimento Ferroviário (NDF), conversa com o Eng. Henrique Carou, Secretário Executivo do Grupo Permanente de Autoajuda na Área de Manutenção Metroferroviária (GPAA).
Com uma trajetória marcada pela experiência prática e pelo compartilhamento de conhecimento entre profissionais e operadoras, Henrique Carou resgata a história dos 25 anos do GPAA e discute a importância da integração entre a experiência do trecho, a pesquisa, a formação profissional e a qualidade ferroviária.
Ao longo da conversa, são abordados temas como a preservação do conhecimento técnico, a aproximação entre academia e operação, a avaliação da conformidade, a certificação e os desafios para a formação das novas gerações de profissionais. Uma reflexão sobre como conhecimento compartilhado, experiência prática e qualidade podem contribuir para uma ferrovia mais segura, confiável e preparada para o futuro.
Prof. Roberto Willians de Santana: Grande Henrique Carou! É uma satisfação imensa tê-lo conosco nesta sabatina técnica. Em nome da diretoria do IQF, agradeço de coração por atender prontamente ao nosso chamado. A escolha do seu nome foi uma decisão unânime em nossas reuniões, justamente porque você esteve na linha de frente desde o primeiro momento, apoiando de forma decisiva a criação do Instituto da Qualidade Ferroviária. O seu depoimento por vídeo no nosso segundo encontro causou um impacto técnico muito positivo.
Vale destacar que aquele segundo encontro marcou uma virada de chave: diferentemente do primeiro, onde éramos nós, os técnicos de chão de fábrica e do trecho ferroviário, tivemos ali a presença maciça da alta gestão da CPTM, do Metrô de São Paulo e de grandes operadoras. A liderança compreendeu definitivamente que a qualidade técnica é a base indispensável e que a segurança operacional é a finalidade de todo o sistema. Um reflexo claro dessa nova postura é o envolvimento direto do IPT e da USP na auditoria e investigação técnica independente dos sinistros recentes na malha paulista, buscando entender a física da falha para emitir diretrizes preventivas que impeçam a repetição do evento.
Sei que você estava em missão recente na reunião do CEM e que as coordenações do GPAA vêm rodando — agora com a valorosa contribuição do Hélio —, enquanto você acompanha as movimentações intensas do mercado na Rumo e em outras concessionárias. Para abrir nosso roteiro, vamos resgatar a história: olhando para a origem do GPAA, em seus primeiros 10 anos e agora ao celebrar seu jubileu de prata de 25 anos, como nasceu essa cultura de autoajuda entre operadoras que antes atuavam de forma isolada, e qual foi o impacto prático dessa conexão direta de mantenedor para mantenedor nas oficinas?
Eng. Henrique Carou: Professor Roberto, é sempre uma honra dialogar com você. Essa história remonta a 1999, no âmbito da CBTU. Naquele período pré-concessões e antes da pulverização das linhas, a CBTU operava uma malha metropolitana extensa em várias capitais do país. Tínhamos centenas de engenheiros e técnicos enfrentando desafios idênticos em via permanente, truques, sistemas de tração e sinalização, mas cada superintendência atuava isolada, tentando ‘reinventar a roda’ para resolver seus problemas cotidianos.
O professor Plácido Lapertosa, com uma visão pioneira, encarregou o Ricardo Torsani e o Fernando Camargos de estruturarem um grupo de apoio técnico mútuo. Quando usamos o termo ‘autoajuda’, não tem nenhuma relação com literatura motivacional ou autoajuda psicológica. É autoajuda técnica e prática de engenharia. O princípio é direto: a falha ou o desgaste severo que estou enfrentando hoje na minha linha muito provavelmente já foi vivido, dissecado e solucionado por um colega de outra operadora.
Além disso, o transporte de passageiros sobre trilhos tem uma particularidade: as operadoras não concorrem comercialmente entre si. O usuário do Metrô de São Paulo não vai deixar de pegar o trem em São Paulo para usar o Metrô do Recife, nem o de Porto Alegre vai trocar a Trensurb pela SuperVia. Não há concorrência de mercado; logo, não faz o menor sentido reter conhecimento técnico. A primeira reunião em Belo Horizonte, em 1999, fundou essa cultura de compartilhamento. O técnico tem prazer em ensinar, e como dizia sua mãe com extrema sabedoria: conhecimento não ocupa espaço — ao contrário, conhecimento compartilhado gera mais conhecimento, cria cumplicidade técnica e economiza meses de retrabalho e recursos nas operadoras.”
BLOCO 1
A Memória e a Identidade dos 25 Anos do GPAA
A Dinâmica de ‘Short Questions’ e a Prática da Linha
Contexto Técnico: A resolução célere de falhas em campo por meio do conhecimento empírico acumulado vs. abordagens puramente teóricas de manuais.
Prof. Roberto Willians: A dinâmica de ‘short questions’ tornou-se a marca registrada do GPAA. Como essa agilidade na troca de experiências práticas auxilia as equipes de ponta a diagnosticar problemas complexos de via e material rodante, evitando paradas prolongadas de frotas e retrabalhos nas oficinas?
Eng. Henrique Carou: Temos excelentes institutos de pesquisa e uma vasta bibliografia acadêmica disponível. Se você quiser aprender a construir e dimensionar uma ferrovia do zero, a literatura técnica atende perfeitamente. No entanto, quando você está na vala da oficina ou no meio da via de madrugada, a realidade é muito mais severa e multifatorial do que os manuais descrevem.
Na literatura, os defeitos são abordados de forma estanque: você lê um capítulo sobre desgaste de pastilha de freio, outro sobre porosidade de fundição, outro sobre fadiga de contato rolante (RCF) e outro sobre trincas térmicas. Mas no trecho real, o mantenedor se depara com tudo ao mesmo tempo: um trilho que apresenta defeito superficial, que tem uma quebra originada na ponta do patilhão, montado sobre dormentes em via sobre laje numa curva de raio apertado, sob alta solicitação dinâmica e velocidade não compensada.
É aí que a ‘pergunta curta’ (short question) no GPAA faz a diferença. Uma resposta de duas linhas no grupo é respaldada por 30 ou 40 anos de experiência prática de quem pisa na brita e conhece o comportamento do ativo no limite. É a famosa história do parafuso: apertar o parafuso custa um real, mas saber com precisão qual parafuso apertar custa todo o restante do valor. Esse diagnóstico certeiro e imediato é algo que nenhum manual sozinho consegue fornecer.
Preservação da Identidade: ‘O GPAA quer ser apenas o GPAA’
Contexto Técnico: A deliberação histórica da coordenação em manter o grupo como uma rede técnica orgânica, horizontal e desprovida de burocracia institucional.
Prof. Roberto Willians: Em um momento em que muitas iniciativas técnicas buscam formalização cartorial e estruturas rígidas, o GPAA realizou um debate histórico sobre o seu futuro e decidiu permanecer como uma rede voluntária e acolhedora. Como você avalia essa decisão de ‘querer ser apenas o GPAA’ e de que forma ela preserva a autoridade técnica do grupo?
Eng. Henrique Carou: Tivemos recentemente uma reunião emblemática com toda a coordenação e os membros que fundaram e consolidaram o GPAA — nomes como Ricardo Torsani, Fernando Camargos, Cleanto, Ernesto, Márcio, Sandra e Alexander Fortes. Colocamos o tema na mesa: ‘O GPAA deve virar um instituto formal de pesquisa? Devemos criar comitês estatutários, auditorias próprias e regimentos formais?
A conclusão unânime foi: o mercado brasileiro já conta com entidades associativas, acadêmicas e regulatórias competentes. O que torna o GPAA único, insubstituível e poderoso é a sua capacidade de acolhimento e desburocratização. O GPAA é o canal direto onde o engenheiro recém-formado que acabou de entrar na operadora debate de igual para igual com o especialista sênior que tem quatro décadas de ferrovia, com base na confiança mútua e no voluntariado.
O GPAA nunca precisou ser grande institucionalmente para ser gigantesco tecnicamente. Não geramos relatórios formais nem manuais fechados: nossa inteligência se materializa no ciclo ‘pergunta, resposta e discussão técnica’. Preservar essa essência orgânica é a garantia de que continuaremos relevantes e acolhedores pelas próximas décadas.
BLOCO 2
A Interlocução Histórica com o NDF e a Academia
A Integração do Conhecimento Tácito com a Ciência Aplicada
Contexto Técnico: A quebra do distanciamento histórico entre os laboratórios universitários e as oficinas operacionais.
Prof. Roberto Willians: Inauguramos uma parceria histórica no 1º Seminário do NDF, realizado em novembro de 2022 em Viçosa e Santos Dumont, com a presença de quadros seniores do GPAA — como você e o Renato Bahia —, apresentando trabalhos de peso, inclusive sobre tração a hidrogênio. Como essa aproximação entre o conhecimento tácito do chão de fábrica e a pesquisa acadêmica vem transformando a engenharia metroferroviária?
Eng. Henrique Carou: Essa parceria representou uma verdadeira convergência de propósitos. Historicamente, existia um distanciamento involuntário: a academia produzia teses de altíssimo nível, mas muitas vezes desconectadas das restrições práticas da ferrovia real — como limitações orçamentárias de manutenção, prazos curtos de intervenção noturna e falta de sobressalentes. Por outro lado, as oficinas resolviam problemas complexos diariamente, mas esse conhecimento morria nos pátios sem qualquer registro científico.
Trazer os estudantes e pesquisadores do NDF para o convívio do GPAA quebrou esse isolamento. A academia passou a beber da experiência prática das operadoras para modelar suas pesquisas, enquanto os mantenedores passaram a ter contato direto com o estado da arte: simulações dinâmicas avançadas, instrumentação óptica, sensoriamento em tempo real e inteligência artificial aplicada à manutenção preditiva. Criou-se uma sinergia onde ambos os lados ganham em qualidade técnica.
Da Bancada ao Campo: O Caso da Redução de Temperatura em Trilhos
Contexto Técnico: A retroalimentação tecnológica em via permanente ilustrada pelo estudo da pesquisadora Bianca (NDF/GPAA).
Prof. Roberto Willians: De que maneira os problemas práticos levados pelas operadoras aos fóruns têm inspirado dissertações e gerado retornos imediatos para a manutenção da via permanente?
Eng. Henrique Carou: Um caso emblemático foi a pesquisa desenvolvida pela Bianca, do NDF de Santos Dumont. Ela apresentou um estudo focado na mitigação de temperaturas críticas em trilhos através da aplicação de pinturas termorreflexivas na alma e no patilhão, visando reduzir o risco de flambagem de via (sun kink) e deformações geométricas no verão.
Eu assisti à apresentação dela no seminário do NDF, conversei diretamente com a pesquisadora e decidi validar a solução na operadora onde eu atuava. Aplicamos a técnica no trecho, instrumentamos a via e medimos a redução do gradiente térmico sob tráfego real. Esse é o exemplo perfeito do ciclo virtuoso: o problema nasce na dor da via permanente, a academia desenvolve o embasamento científico, e a solução retorna imediatamente para a linha, trazendo ganhos de segurança operacional e confiabilidade.
BLOCO 3
Avaliação de Conformidade, Acreditação (RAC) e o Papel do IQF
Ensaios Laboratoriais vs. A Severidade do ‘Laboratório da Vida Real’
Contexto Técnico: O papel dos Requisitos de Avaliação da Conformidade (RAC) frente às variáveis operacionais imprevisíveis das ferrovias brasileiras.
Prof. Roberto Willians: O IQF consolidou procedimentos técnicos rigorosos para avaliação de conformidade (RAC) em eixos e rodas ferroviárias, além de materiais de atrito. Considerando que os ensaios controlados de laboratório não reproduzem todas as variáveis de campo, qual é a importância desses critérios de homologação para o mantenedor na ponta da linha?
Eng. Henrique Carou: O trecho ferroviário brasileiro é o laboratório de vida real mais severo que existe. Temos operadoras no Sul enfrentando temperaturas próximas de zero e sistemas no Norte e Nordeste sob calor extremo, operando materiais com a mesma especificação nominal. Concomitantemente, temos sistemas sobre lastro e sobre laje, transporte de carga pesada (heavy haul) e sistemas metropolitanos de passageiros de altíssima densidade.
Os ensaios de laboratório são fundamentais, mas operam com variáveis controladas. O fabricante projeta e testa o componente, mas é na operação diária que o material enfrenta a combinação imprevisível de poeira de brita, sobrecarga dinâmica e desgaste acelerado. Quando o IQF estabelece procedimentos rigorosos de acreditação e auditoria técnica para eixos e rodas, ele cria um filtro de qualidade indispensável.
Para a oficina, isso significa receber componentes com conformidade assegurada e rastreabilidade metalúrgica confiável, mitigando o risco de trincas prematuras em rodeiros, falhas de solda e desgaste catastrófico da interface roda-trilho. O setor deixa de agir reativamente e passa a contar com um patamar técnico padronizado.
Qualidade dos Componentes Críticos e a Experiência do Usuário
Contexto Técnico: O impacto da padronização de materiais de atrito, aparelhos de choque e AMVs na redução de ruído, vibração e custos operacionais.
Prof. Roberto Willians: Com o avanço dos novos comitês técnicos do IQF — como materiais de atrito (pastilhas e sapatas), aparelhos de choque e AMVs, liderados por engenheiros experientes como Fábio (Metrô-SP), Camilo (MPE/VLT), Profª Andréia (UFSC) e Paschoal De Mario (ABNT) —, como você enxerga a consolidação desse ecossistema da qualidade?
Eng. Henrique Carou: Enxergo como um ecossistema que se completa harmoniosamente. O GPAA traz o conhecimento prático acumulado das dores de manutenção; o NDF e as universidades agregam o rigor científico; e o IQF traduz essa inteligência em requisitos de conformidade e acreditação industrial.
Materiais de atrito e AMVs exigem precisão absoluta. Uma pastilha de freio ou um conjunto de agulhas e jacarés fora de especificação compromete a distância de frenagem, danifica a superfície de rolamento e eleva drasticamente os custos com reperfilamento de rodas e esmerilhamento de trilhos.
Quando asseguramos a qualidade desses componentes na origem, fechamos um ciclo virtuoso: reduz-se o custo de ciclo de vida (LCC) dos ativos e entrega-se uma viagem mais suave, segura, sem ruído não compensado e com máximo conforto para o passageiro e proteção para a carga transportada.
BLOCO 4
O Futuro, o Banco de Especialistas e a Qualificação Profissional
O Banco de Especialistas do IQF e a Expertise dos Membros do GPAA
Contexto Técnico: A mobilização autônoma de técnicos seniores para atuação independente em auditorias e certificações sob demanda do mercado.
Prof. Roberto Willians: O IQF está estruturando um banco de profissionais para atuar em auditorias, ensaios técnicos e processos de certificação demandados pelas operadoras e pela indústria. Como a expertise individual dos mantenedores e engenheiros do GPAA pode somar a essa iniciativa, apresentado e deliberado na reunião do CEM – COMISSÃO DE ESTUDOS METRO FERROVIÁRIO RJ?
Eng. Henrique Carou: É fundamental mantermos clara a distinção institucional: o GPAA, como entidade, não faz auditorias, não emite laudos periciais e não presta serviços formais. Contudo, os engenheiros, especialistas e técnicos que integram o GPAA são, sem dúvida, os quadros que fazem a ferrovia brasileira funcionar no dia a dia.
O IQF acessar esses profissionais de maneira individual, voluntária e autônoma para compor seu banco de auditores técnicos e peritos é uma decisão extremamente acertada. Não existe no mercado ninguém mais qualificado para atestar a conformidade de uma oficina, de um processo de usinagem de rodeiro ou de uma linha de montagem de AMVs do que o profissional que vivencia a manutenção prática na ponta da linha. É um modelo de cooperação que eleva a autoridade das certificações emitidas pelo Instituto.
A Retomada das Ferrovias e a Transição Geracional
Contexto Técnico: O acolhimento técnico aos novos profissionais diante do marco da Lei 14.273/21 e das renovações de concessões.
Prof. Roberto Willians: Diante do novo marco regulatório da Lei 14.273/21, das renovações antecipadas de concessões e da expansão de novas malhas, qual é a mensagem da Secretaria Executiva do GPAA para a nova geração de técnicos e engenheiros que chegam às ferrovias?
Eng. Henrique Carou: Vivemos um momento de efervescência e reorganização técnica profunda no país. Há uma intensa migração de profissionais entre operadoras de carga e de passageiros, e essa movimentação traz um ganho técnico imenso. O mantenedor que sempre trabalhou com via em lastro de repente se depara com via sobre laje; o especialista habituado a terceiro trilho passa a gerir sistemas de catenária aérea; o engenheiro de ferrovia pesada passa a atuar em VLTs metropolitanos.
Essa transição gera novas dúvidas e demandas operacionais. E são exatamente as dúvidas que movimentam a engenharia para a frente. O GPAA continuará de portas abertas para acolher esses jovens profissionais, oferecendo um ambiente seguro, generoso e solidário para a troca de conhecimentos. A manutenção de excelência se constrói na oficina, e o GPAA seguirá como esse porto seguro para os próximos 25 anos.
Saideira Técnica: Certificação Profissional e Formação Metroferroviária
Contexto Técnico: A criação de matrizes de competência técnica para qualificação de mão de obra especializada no setor.
Prof. Roberto Willians: Para a nossa saideira: no encontro técnico na MRS, debatemos a importância de avançarmos na certificação profissional ferroviária, a exemplo dos modelos consolidados da ABENDI e da ANAC. Como você enxerga a articulação entre IQF, universidades e operadoras para estruturar programas de certificação técnica de pessoal e de cursos, como apresentamos no 53ª GPAA, em Juiz de Fora?
Eng. Henrique Carou: A certificação profissional de adesão voluntária é um divisor de águas urgente para o setor. O Brasil sofre historicamente com a pulverização na formação metroferroviária: temos pouquíssimas escolas técnicas dedicadas ao ofício ferroviário e raras cadeiras de graduação e pós-graduação voltadas especificamente para a nossa área.
Construir uma certificação estruturada junto às universidades e ao IQF confere às operadoras a garantia formal de competência técnica em atividades críticas — como soldagem aluminotérmica, ensaios não destrutivos (END), instrumentação de via e manutenção de truques. Ao mesmo tempo, valoriza a carreira do mantenedor, que passa a ter um reconhecimento institucional de sua qualificação como especialista em tecnologia ferroviária. É um passo essencial para consolidar a cultura da qualidade na engenharia nacional.
Encerramento e Convites Institucionais
Prof. Roberto Willians de Santana: Henrique, expressamos nossa mais profunda gratidão por sua lucidez, generosidade técnica e compromisso incondicional com a ferrovia brasileira. Aproveito para formalizar dois convites: a sua participação de destaque no 5º Seminário do NDF, em Ouro Preto, e a sua integração ao fórum permanente de personalidades ferroviárias que estamos estruturando junto ao Eng. Paschoal De Mario na parceria IQF-ABNT. É uma honra caminhar ao seu lado e de todo o coletivo do GPAA, que é um orgulho para a engenharia metroferroviária nacional e internacional!
Eng. Henrique Carou: Professor Roberto, a gratidão é toda minha. Sempre que você me convida para congressos, seminários ou entrevistas, atendo com imensa alegria e respeito. As instituições que você lidera e os projetos que você impulsiona com maestria são marcos fundamentais para a evolução do nosso setor. O GPAA se orgulha de fazer parte desses sonhos compartilhados e seguirá sempre de portas abertas para fortalecer a qualidade e a segurança da ferrovia brasileira. Um abraço fraterno a todos!
CURRÍCULOS RESUMIDOS

Eng. Henrique Carou
Henrique Carou Costa é engenheiro civil e especialista em engenharia ferroviária, com 17 anos de atuação como Especialista em Engenharia de Via Permanente em um sistema metroviário de passageiros. Sua experiência abrange manutenção ferroviária, confiabilidade e gestão de ativos, com trabalhos relacionados ao comportamento de trilhos, tensões térmicas, prevenção de flambagens, esmerilhamento, inspeção, FMECA e avaliação de intervenções com base em custo e risco. Participou também de importantes projetos de expansão e implantação de infraestrutura metroferroviária no Rio de Janeiro.
Atualmente, é professor do módulo de Superestrutura Ferroviária no curso de Especialização em Engenharia Ferroviária da Universidade de Vassouras e mestrando em Engenharia de Transportes no Instituto Militar de Engenharia — IME, onde desenvolve pesquisa sobre metodologia técnico-econômica para o esmerilhamento preventivo de trilhos. É secretário do Grupo Permanente de Autoajuda Ferroviária — GPAA, membro fundador da CEM/AENFER e participante de comissões técnicas da ABNT.

Prof. Roberto Willians de Santana
Prof. Roberto Willians de Santana é uma das vozes ativas e estratégicas na luta pela retomada da malha ferroviária mineira, unindo o rigor técnico da engenharia à formação profissional e à defesa do desenvolvimento regional. Com presença destacada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) por meio de debates, audiências públicas e comissões temáticas, teve papel fundamental na estruturação e consolidação do Núcleo de Desenvolvimento Tecnológico Ferroviário de Minas Gerais (NDF-MG) e na criação e expansão do Instituto da Qualidade Ferroviária (IQF). Sua atuação abrange a articulação direta entre a academia, o poder público e o setor produtivo para a normatização, certificação e fortalecimento da capacitação técnica especializada no setor metroferroviário.
Atualmente, concentra esforços na consolidação de convênios técnico-científicos de abrangência nacional e internacional, promovendo a integração entre o NDF-MG, o IQF e entidades como a ALAF. Em paralelo, lidera iniciativas de interiorização do debate logístico em Minas Gerais, com protagonismo na construção e articulação do Grupo de Trabalho (GT) do Sul de Minas e em fóruns regionais dedicados ao transporte de cargas, mobilidade de passageiros e turismo ferroviário. Sua trajetória atual reafirma o compromisso com a soberania logística e a modernização sustentável dos trilhos em Minas e no Brasil.
