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ARTIGOS

Normas técnicas fortalecem a qualidade e a segurança do setor metroferroviário

O trabalho do CB-006/ABNT, com apoio técnico do SIMEFRE, contribui para a padronização, a confiabilidade e a evolução dos sistemas de transporte sobre trilhos no Brasil.

Por Paschoal De Mario

A adoção de normas técnicas é fundamental para o desenvolvimento de um sistema metroferroviário cada vez mais seguro, eficiente e confiável. Em um setor que reúne diferentes tecnologias, equipamentos, componentes e processos operacionais, a existência de referências técnicas comuns contribui para assegurar padrões de qualidade, desempenho e segurança em toda a cadeia produtiva.

Nesse contexto, o CB-006/ABNT – Comitê Brasileiro Metroferroviário desempenha um papel estratégico na elaboração e atualização das normas técnicas aplicáveis ao transporte sobre trilhos no Brasil.

Seu campo de atuação compreende a normalização de via permanente, material rodante, carros metropolitanos, segurança e bilhetagem, abrangendo terminologia, requisitos técnicos, métodos de ensaio e aspectos gerais relacionados aos sistemas metroferroviários.

Essas normas estabelecem referências para fabricantes, fornecedores, operadores, instituições de pesquisa e demais agentes do setor, contribuindo para a harmonização de práticas, a compatibilidade entre sistemas e o alinhamento com padrões nacionais e internacionais.

Mais do que estabelecer requisitos técnicos, a normalização contribui para consolidar uma cultura de qualidade, segurança e melhoria contínua no transporte metroferroviário brasileiro.

A contribuição do SIMEFRE para a normalização

O SIMEFRE – Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários, é mantenedor oficial do CB-006, onde, por meio de seu Departamento Ferroviário, organiza, acompanha e representa os interesses de um segmento industrial com longa trajetória no desenvolvimento do transporte sobre trilhos no Brasil.

A indústria brasileira de material ferroviário começou a se estruturar na década de 1940, acompanhando os diferentes ciclos de expansão e modernização das ferrovias nacionais. Ao longo desse período, desenvolveu capacidade produtiva para fabricar locomotivas, trens, vagões, carros de passageiros e uma ampla variedade de componentes e equipamentos ferroviários.

Entre esses produtos estão rodas, eixos, truques, sistemas de freios, engates, aparelhos de choque e tração, motores, equipamentos elétricos e sistemas de sinalização, além de componentes destinados à infraestrutura e à via permanente.

A diversidade e a complexidade desses produtos reforçam a importância da normalização técnica para estabelecer critérios comuns de fabricação, ensaios, desempenho e segurança.

O SIMEFRE também exerce a função de Secretaria Técnica do CB-006/ABN, apoiando a organização e o desenvolvimento das atividades de normalização do setor.

Esse trabalho contribui para aproximar a indústria dos processos de elaboração e revisão das normas, favorecendo a participação de especialistas e a incorporação de conhecimentos técnicos e experiências práticas.

Das normas técnicas à certificação

As normas técnicas também constituem uma importante referência para os processos de avaliação da conformidade e certificação.

Ao estabelecer requisitos e métodos de ensaio, permitem definir critérios objetivos para verificar se produtos, componentes e processos atendem às condições especificadas de qualidade, segurança e desempenho.

A normalização e a certificação são, portanto, atividades distintas, mas complementares. Enquanto as normas estabelecem referências técnicas, a certificação permite demonstrar, por meio de procedimentos de avaliação da conformidade, o atendimento aos requisitos definidos.

Essa relação é especialmente relevante para o setor metroferroviário, no qual a confiabilidade de componentes e sistemas está diretamente associada à segurança operacional e à vida útil dos equipamentos.

Embora sua aplicação seja, em regra, voluntária, as normas técnicas podem adquirir caráter obrigatório quando incorporadas à legislação, a regulamentos ou a instrumentos contratuais.

Acompanhar sua elaboração, revisão e atualização é, portanto, essencial para que fabricantes, operadores e demais agentes do setor incorporem as melhores práticas e acompanhem a evolução tecnológica do transporte sobre trilhos.

A atualização permanente das normas

O processo de normalização é contínuo e acompanha as transformações tecnológicas, as necessidades operacionais e os novos desafios da indústria.

Por meio de suas Comissões de Estudo, com o apoio de técnicos e engenheiros de suas empresas associadas e operadoras de transportes de carga e passageiros, entidades universitárias e autônomo o CB-006/ABNT desenvolve e faz revisão de normas técnicas bem como a elaboração de novas normas através da experiência de seus participantes e documentos técnicos e normas internacionais. 

Em 2026, esse trabalho prossegue com atividades de elaboração e revisão de normas relacionadas a componentes ferroviários, material rodante, via permanente e outros aspectos técnicos. Abaixo, o quadro apresenta as últimas normas que foram revisadas e atualizadas em 2026:

Para facilitar o acompanhamento dessas informações, o SIMEFRE disponibiliza uma planilha que reúne as normas técnicas do Setor Metroferroviário, oferecendo uma referência de consulta aos profissionais e às empresas do setor.

Fortalecer a normalização é fortalecer a qualidade. A participação da indústria, dos operadores, das universidades, dos centros de pesquisa e das instituições técnicas nesse processo é fundamental para que o Brasil continue avançando na construção de um sistema metroferroviário mais seguro, moderno, eficiente e confiável.

SERVIÇO | Consulte as normas técnicas do setor metroferroviário

CURRÍCULO RESUMIDO DO AUTOR

Paschoal De Mario
Atuação Institucional e Liderança
Coordenador do Comitê Brasileiro de Transportes e Tráfego (ABNT/CB-006): Lidera a normalização técnica do setor ferroviário na ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), garantindo a padronização e a segurança de componentes e sistemas. Diretor do SIMEFRE: Atua como Diretor de Relações Industriais e Institucionais do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários. Conselheiro do Conselho de Tecnologia da ABIFER: Contribui ativamente na Associação Brasileira da Indústria Ferroviária, sendo um elo vital entre a indústria e o desenvolvimento tecnológico. Certificação de Qualidade: Atuação direta na melhoria dos padrões de qualidade de componentes essenciais para a operação segura das ferrovias.