
Por Vicente Abate e Jean Pejo
O fortalecimento do transporte ferroviário e da indústria nacional de trilhos é decisivo para a descarbonização, a inovação tecnológica e a melhoria da qualidade de vida nas cidades brasileiras.
O transporte ferroviário nacional, de cargas e de passageiros, bem como a indústria ferroviária brasileira, associados às universidades e aos institutos de pesquisa, são estratégicos, sustentáveis, inovadores e resilientes, contribuindo de forma significativa para a redução das emissões de gases de efeito estufa e de materiais particulados na atmosfera.
Nesse contexto, foi instituído o IQF – Instituto da Qualidade Ferroviária, que, ao integrar esses setores no caminho da qualidade, contribuirá para garantir melhor qualidade de vida para as pessoas.
É comprovado que cidades inclusivas possuem sistemas de transporte público amigáveis ao meio ambiente, como metrôs, trens metropolitanos, trens regionais, trens de alta velocidade, VLTs, monotrilhos e aeromóveis.
Mobilidade urbana sobre trilhos no Brasil
No Brasil, existem 21 sistemas consolidados de transporte público sobre trilhos, presentes nas principais capitais e grandes regiões metropolitanas.
A cidade de São Paulo possui os maiores sistemas de transporte sobre trilhos, por meio da CMSP (Companhia do Metropolitano de São Paulo), da MOTIVA, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e das operadoras TIC Trens e Trívia, do Grupo Comporte.
Nos demais sistemas nacionais, destacam-se o Rio de Janeiro, com a SuperVia e o MetrôRio; Brasília, com o Metrô-DF; Salvador, com o Metrô de Salvador – MOTIVA; Fortaleza, com o Metrofor; Belo Horizonte, com o Metrô BH – Comporte; e a CBTU, com os sistemas de Recife, Natal, João Pessoa e Maceió; a Trensurb, com o sistema de Porto Alegre; e o sistema de trilhos de Teresina, perfazendo cerca de 1.139 km de trilhos sustentáveis.
Em adição, há os sistemas de média capacidade, como os VLTs de Santos (SP), Rio de Janeiro, Fortaleza, Sobral e Cariri (CE), além dos aeromóveis nos aeroportos de Porto Alegre (RS) e de Guarulhos (SP).
Descarbonização e o futuro
Durante a COP 30, em Belém, o Brasil mostrou ao mundo suas aptidões energéticas para cumprir as práticas de ESG, que representam o compromisso com o Meio Ambiente, a Responsabilidade Social e a Governança ética e transparente, e, de forma complementar, o alcance dos 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU, que compõem a Agenda 2030, lançada em 2015.
Todas essas ações deverão ser acompanhadas por indicadores de qualidade, nos quais o IQF terá importante protagonismo nas certificações desses procedimentos, garantindo qualidade de vida à sociedade.
A descarbonização do transporte também é uma agenda da ABIFER, do SIMEFRE, do IQF e de demais entidades associadas. Essa agenda garantirá a redução da poluição ambiental e sonora por meio do desenvolvimento e da produção de locomotivas digitalizadas, com células de hidrogênio verde, baterias, biocombustíveis e GNL; trens de passageiros elétricos e tracionados a hidrogênio verde; e vagões de carga testados em túnel de vento, nos quais se comprovou a redução do coeficiente de arrasto e uma eficiência energética de 8,5%.
Vivemos um momento único e histórico de transformação, que nos permitirá combater de forma efetiva as severas mudanças climáticas em curso e seus efeitos desastrosos sobre o nosso planeta.
Vicente Abate é presidente da ABIFER.
Jean Pejo é secretário-geral da ALAF – Sede Brasil.
